domingo, 28 de novembro de 2010

Suporte Básico de Vida

A tarde aproxima-se do final, o frio que vem marcando presença nos últimos dias acentua-se e tu aproveitas os últimos raios de sol para ir nadar um pouco. Terminado o treino, já no balneário, entre as tarefas habituais vais pondo a conversa em dia com um colega.
De repente, quando olhas para o lado, reparas num senhor que se encosta aos cacifos, curva-se e coloca a mão sobre a testa como que formando uma pala de um boné. Até aqui nada de mais. Mas, ao observar melhor, apercebes-te que o senhor está com tremores. Olhas para o teu colega e, simultaneamente, aproximam-se para averiguar a situação.
- O senhor está bem?
A pergunta repete-se 2 ou 3 vezes mas em nenhuma delas se obtém resposta. Os tremores aumentam, o senhor começa a espumar pela boca e a sua rigidez é tal que é incapaz de dar um passo.
Sem certezas do diagnóstico (AVC? Epilepsia?...), perante tal situação somos nós que começamos com tremores. Uma coisa é certa, temos que fazer alguma coisa.
Com esforço colocamos o senhor em posição lateral de segurança e, enquanto o Zé Roberto ficou com o senhor, eu fui chamar ajuda e ligar para a Emergência.
Quando regresso o senhor já estava ligeiramente melhor mas ainda incapaz de se mexer e de articular qualquer palavra.
Acompanhamos por mais uns instantes o senhor até à chegada dos Bombeiros que tomam depois conta da situação.
Aos poucos o senhor recupera a fala embora a sua motricidade continue limitada.
Os Bombeiros confirmam o diagnóstico da Epilepsia e contactam um familiar para o vir buscar pois o senhor não está em condições de conduzir.
Felizmente a situação está resolvida mas foi um valente susto.
A vida põe-nos constantemente à prova e nenhum de nós sabe quando será chamado a salvar uma vida. É pois importante que estejamos preparados.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Here we go (again)...

A Maratona já ficou para trás.
A recuperação ainda se está a processar mas é tempo de começar a preparar a nova época. Nesta fase a minha preocupação é essencialmente habituar o corpo ao ritmo de treino que, não sendo intenso, é exigente.
Em função da minha disponibilidade consegui estipular o número de treinos que pretendo fazer semanalmente. Assim planeei:
- 3 treinos de Natação;
- 2 treinos de Ciclismo;
- 4 treinos de Corrida;
- 1 treino de reforço muscular.
Não é fácil conseguir encaixar tudo isto na semana mas com alguma boa vontade conseguem-se verdadeiros milagres. Vamos ver se consigo vencer a preguiça e fintar o mau tempo para cumprir ao máximo este plano.
Entretanto devem sair os calendários das competições e aí há que começar a apontar para alguns objectivos. Esta época gostava de aumentar as distâncias das competições, vamos ver o que se consegue.

domingo, 7 de novembro de 2010

7.ª Maratona do Porto - 2010

Diz quem anda nestas andanças há mais tempo, que apesar de numa maratona se sofrer muito, o que custa não é o que se passa no dia da prova. Isso é o culminar, é a festa. O que custa é prepará-la, é treinar duro durante vários meses (12 semanas no meu caso), é abdicar de muitas coisas... Mas tudo isso é compensado com o prazer de cortar a meta após ter completado os míticos 42.195 metros. Hoje eu senti isso "na pele"...
Levantei-me cedo, ainda o sol e o galo estavam deitados. Queria tomar o mesmo pequeno-almoço de todos os dias e ter a certeza de que a digestão estaria feita à hora da prova. Voltei a certificar-me que nada faltava no saco e fiz-me à estrada ao encontro dos meus companheiros da luta. Não estava nervoso, pelo contrário, sabia que o trabalho da casa estava feito (obrigado Branco e todos os companheiros que comigo sofreram treino após treino, km após km) e que agora era acreditar nas minhas capacidades e tentar sofrer o menos possível (pois o sofrer era certo).
À medida que nos aproximávamos do local da partida as condições climatéricas pioravam. A temperatura estava boa mas a chuva e o vento não eram bons aliados. Felizmente as coisas melhoraram e a chuva parou durante toda a Maratona, apenas o vento nos fez companhia, podia ter sido pior.

 (A equipa do C. A. Ovar reunida antes de se deslocar para a partida. Da esquerda para a direita: Jorge Miguel, Hélder, Joaquim, Hugo e Carlos. Falta o Rui que se juntou a nós na partida)

9 horas, o tiro de partida soou junto ao Palácio de Cristal (uma palavra de felicitação para a organização que esteve muito bem em todos os aspectos)  e eu iniciava a minha primeira Maratona.
Os kms iam passando suavemente, dentro do ritmo que estava estipulado (próximo dos 4 min./km) e foi com facilidade que atingi a marca da Meia Maratona, na Afurada. Estava a ser um passeio à beira Douro bastante agradável. E assim continuou até aos 29/30 kms. Aí, no Freixo, com 12/13 kms para cumprir e, como me ia a sentir tão bem, decidi apertar um pouco o andamento.

 (Passagem aos 15 kms)

Mas, como já alguém disse, "meus amigos, a Maratona começa agora, aos 30 kms" (também ouvi outra boa que diz que a Maratona é uma espera de 32 kms para uma prova de 10). Enfim, a Maratona é uma prova de paciência e não perdoa abusos.  Acabei por pagar cara esta ousadia. Aos 38 kms as pernas começam a ceder. O ritmo abranda, olho para o cronómetro e ainda é possível fazer as 2h 50 min. que eu quero, só não posso quebrar muito. Mas as pernas não querem colaborar, só a muito custo consigo manter o ritmo nos 4 min. 30 seg./km. Tudo o que eu possa dizer sobre estes kms é pouco. Foram  simplesmente os 5 kms mais custosos da minha vida. O público vai incentivando (nos locais onde havia mais público até parece que era mais fácil correr), entro na Avenida da Boavista, começo a avistar os pórticos ao fundo, o meu rosto ilumina-se-lhe, transfigura-se, estou prestes a terminar a minha primeira Maratona. Quando, finalmente, passei a meta o cronómetro marcava 2 horas 52 minutos e 29 segundos. Um tempo ligeiramente acima do que eu tinha idealizado mas, ainda assim, satisfatório. A classificação, pouco importante para o caso, ditava o 56.º lugar da Geral (33.º Sénior).

 (A expressão diz (quase) tudo)

Foi uma experiência fantástica que pretendo repetir (daqui a uns bons tempos porque os próximos dias serão mais ou menos assim...).

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O Porto chama por ti...

É já domingo que se realiza a 7.ª Maratona do Porto, onde eu farei a minha estreia nesta distância.
À medida que o tempo vai passando e a hora da partida se aproxima os meus níveis de ansiedade vão crescendo.
A preparação está feita (foram quase 3 meses de preparação específica) e os objectivos estabelecidos (individualmente, para além de querer obviamente terminar a prova, pretendo fazê-lo o mais próximo possível das 2 horas e 50 minutos - fasquia alta esta... - e, colectivamente, o C. A. Ovar vai certamente bater-se pelo melhor lugar possível).
Venha daí essa Maratona!...