terça-feira, 28 de dezembro de 2010

17.ª S. Silvestre Cidade do Porto

Domingo, final da tarde na cidade do Porto e a Avenida dos Aliados está apinhada de gente. Se fosse a Rua de Santa Catarina, dada a época natalícia que se vive, ainda se poderia justificar com a azáfama das compras mas não é. O que se passa então? É mais uma edição da corrida S. Silvestre Cidade do Porto.



Por entre as rabanadas e o bolo rei lá arranjei um tempo para ir ao Porto correr esta prova emblemática. Eu e mais 5.000 pessoas, dado que o limite das inscrições foi atingido bem antes do fim de semana, esgotando assim as inscrições. A noite estava fria mas a Avenida estava fantástica com todo o movimento que caracteriza uma prova desta envergadura.


O momento não é de forma - nem é isso que se pretende nesta altura - mas o orgulho e a concorrência [e uma espectadora VIP dizem as más línguas ;)]  não permitem encarar a prova de outra forma que não seja dar o meu melhor.
Feito o aquecimento (e posta a conversa em dia) lá nos dirigimos (cedo pois os 5.000 inscritos assim o exigem) para a partida para tentar tomar o melhor lugar possível. Nunca tinha corrido esta prova mas dizem os mais rodados que dura é o melhor adjectivo para a descrever. Vai daí que eu tenha encarado a parte inicial com algum cuidado não fosse apanhar alguma surpresa.
A prova consistia em 2 voltas de 5 kms cada, perfazendo 10 kms no total. Cada uma das voltas tinha metade a subir (da Praça da Liberdade até à Praça do Marquês de Pombal)  e metade a descer (da Rua da Constituição até à Avenida dos Aliados), ambas custosas embora por razões diferentes.
Ao longo de todo o percurso tinha sempre bastante público a assistir e a apoiar os atletas o que foi muito bom e me deu ânimo.
Consegui fazer a 2.ª volta mais rápida que a 1.ª (negative split) o que foi bastante bom e mostra que, afinal, não estou assim tão mau...

(No final da prova com o Marco - Arvor - e o Jorge - Afis -, meus colegas de treino e igualmente discípulos do treinador António Branco. O Jorge fez, mais uma vez, uma prova fantástica terminado juntamente com a 1.ª atleta feminina - Fernanda Ribeiro)

Relativamente ao tempo, demorei 36' 43'' (ritmo médio de 3' 40''/km) a cumprir a prova o que me permitiu qualificar em 76.º lugar da classificação Geral e 47.º lugar do escalão Sénior Masculino.

sábado, 25 de dezembro de 2010

What are you doing on Christmas Eve?

Eis que é chegado mais um Natal!

Nesta época do ano, tudo é esquecido e o mundo, milagrosamente, nem parece o mesmo. As famílias reúnem-se, revêm-se pessoas que já não viamos há muito, enviamos mensagens para toda a gente, compramos prendas, somos solidários, canções e decorações natalícias estão por todo o lado...

Com tudo isto os treinos acabam sempre por serem sacrificados o que, a juntar aos banquetes habituais, dá o resultado que já conhecemos...

Mas há excepções. E é por isso que só alguns são realmente bons. Porque trabalham para isso...
Um dia perguntaram ao sr. Armstrong a que se devia o sucesso dele, ao que ele respondeu: "The answer is hard work. What are you doing on Christmas Eve? Are you riding your bike?".


"Everybody wants to know what am I on. What am I on? I'm on my bike, busting my ass 6 hours a day. What are you on?".

Milagres?!... Só no Natal...

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

(Ainda) a Maratona do Porto

É verdade, a Maratona do Porto ainda faz correr tinta...
No suplemento "Mundo da Corrida" da "Revista Atletismo" de Dezembro vem um artigo sobre a 7.ª Maratona do Porto, "a maior de sempre", como refere a publicação.
Na margem esquerda deste artigo aparece o resultado de uma breve entrevista que me fizeram logo após terminar a prova.
Aqui fica, para mais tarde recordar...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

53.ª Volta a Paranhos

Um mês depois da Maratona do Porto regressei às competições.
Após recuperar da Maratona iniciei a minha época "triatlética". De uma forma pouco consistente é certo, mas iniciei. Por entre constipações, chuva e alguma preguiça o plano de treinos tem ficado algumas vezes por cumprir. Nada de muito grave para esta fase da preparação mas, ainda assim, é algo que me desagrada.
De tal forma que, quando me falaram em participar na Volta a Paranhos, fiquei renitente. Mas, porque não? Vou recordar o local onde estudei (e que mudado aquilo por lá está!) e aproveito para estar com a malta amiga e fazer um andamento mais rápido.
A prova é emblemática. 53.ª realização, 10 kms, muitos atletas, partida e chegada junto ao que resta do estádio do Salgueiros.



A minha ideia inicial era começar com moderação e depois, em função de como me sentisse, fazer o resto da prova. Mas, decididamente, eu não consigo ser moderado. Nem com o Garmin que fielmente me vai indicando a cadência...
Eu bem procurei partir calmo mas rapidamente estava a correr na casa dos 3'30''/km. Lá fui controlando como pude o andamento mas, a partir do meio da prova, a minha falta de treinos fez-se sentir e tive que sofrer um pouco até ao final. É bem feito, eu mereço!...
Na meta o cronómetro registou 36'50'' (médias: 3'38''/km, 181bpm).

domingo, 28 de novembro de 2010

Suporte Básico de Vida

A tarde aproxima-se do final, o frio que vem marcando presença nos últimos dias acentua-se e tu aproveitas os últimos raios de sol para ir nadar um pouco. Terminado o treino, já no balneário, entre as tarefas habituais vais pondo a conversa em dia com um colega.
De repente, quando olhas para o lado, reparas num senhor que se encosta aos cacifos, curva-se e coloca a mão sobre a testa como que formando uma pala de um boné. Até aqui nada de mais. Mas, ao observar melhor, apercebes-te que o senhor está com tremores. Olhas para o teu colega e, simultaneamente, aproximam-se para averiguar a situação.
- O senhor está bem?
A pergunta repete-se 2 ou 3 vezes mas em nenhuma delas se obtém resposta. Os tremores aumentam, o senhor começa a espumar pela boca e a sua rigidez é tal que é incapaz de dar um passo.
Sem certezas do diagnóstico (AVC? Epilepsia?...), perante tal situação somos nós que começamos com tremores. Uma coisa é certa, temos que fazer alguma coisa.
Com esforço colocamos o senhor em posição lateral de segurança e, enquanto o Zé Roberto ficou com o senhor, eu fui chamar ajuda e ligar para a Emergência.
Quando regresso o senhor já estava ligeiramente melhor mas ainda incapaz de se mexer e de articular qualquer palavra.
Acompanhamos por mais uns instantes o senhor até à chegada dos Bombeiros que tomam depois conta da situação.
Aos poucos o senhor recupera a fala embora a sua motricidade continue limitada.
Os Bombeiros confirmam o diagnóstico da Epilepsia e contactam um familiar para o vir buscar pois o senhor não está em condições de conduzir.
Felizmente a situação está resolvida mas foi um valente susto.
A vida põe-nos constantemente à prova e nenhum de nós sabe quando será chamado a salvar uma vida. É pois importante que estejamos preparados.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Here we go (again)...

A Maratona já ficou para trás.
A recuperação ainda se está a processar mas é tempo de começar a preparar a nova época. Nesta fase a minha preocupação é essencialmente habituar o corpo ao ritmo de treino que, não sendo intenso, é exigente.
Em função da minha disponibilidade consegui estipular o número de treinos que pretendo fazer semanalmente. Assim planeei:
- 3 treinos de Natação;
- 2 treinos de Ciclismo;
- 4 treinos de Corrida;
- 1 treino de reforço muscular.
Não é fácil conseguir encaixar tudo isto na semana mas com alguma boa vontade conseguem-se verdadeiros milagres. Vamos ver se consigo vencer a preguiça e fintar o mau tempo para cumprir ao máximo este plano.
Entretanto devem sair os calendários das competições e aí há que começar a apontar para alguns objectivos. Esta época gostava de aumentar as distâncias das competições, vamos ver o que se consegue.

domingo, 7 de novembro de 2010

7.ª Maratona do Porto - 2010

Diz quem anda nestas andanças há mais tempo, que apesar de numa maratona se sofrer muito, o que custa não é o que se passa no dia da prova. Isso é o culminar, é a festa. O que custa é prepará-la, é treinar duro durante vários meses (12 semanas no meu caso), é abdicar de muitas coisas... Mas tudo isso é compensado com o prazer de cortar a meta após ter completado os míticos 42.195 metros. Hoje eu senti isso "na pele"...
Levantei-me cedo, ainda o sol e o galo estavam deitados. Queria tomar o mesmo pequeno-almoço de todos os dias e ter a certeza de que a digestão estaria feita à hora da prova. Voltei a certificar-me que nada faltava no saco e fiz-me à estrada ao encontro dos meus companheiros da luta. Não estava nervoso, pelo contrário, sabia que o trabalho da casa estava feito (obrigado Branco e todos os companheiros que comigo sofreram treino após treino, km após km) e que agora era acreditar nas minhas capacidades e tentar sofrer o menos possível (pois o sofrer era certo).
À medida que nos aproximávamos do local da partida as condições climatéricas pioravam. A temperatura estava boa mas a chuva e o vento não eram bons aliados. Felizmente as coisas melhoraram e a chuva parou durante toda a Maratona, apenas o vento nos fez companhia, podia ter sido pior.

 (A equipa do C. A. Ovar reunida antes de se deslocar para a partida. Da esquerda para a direita: Jorge Miguel, Hélder, Joaquim, Hugo e Carlos. Falta o Rui que se juntou a nós na partida)

9 horas, o tiro de partida soou junto ao Palácio de Cristal (uma palavra de felicitação para a organização que esteve muito bem em todos os aspectos)  e eu iniciava a minha primeira Maratona.
Os kms iam passando suavemente, dentro do ritmo que estava estipulado (próximo dos 4 min./km) e foi com facilidade que atingi a marca da Meia Maratona, na Afurada. Estava a ser um passeio à beira Douro bastante agradável. E assim continuou até aos 29/30 kms. Aí, no Freixo, com 12/13 kms para cumprir e, como me ia a sentir tão bem, decidi apertar um pouco o andamento.

 (Passagem aos 15 kms)

Mas, como já alguém disse, "meus amigos, a Maratona começa agora, aos 30 kms" (também ouvi outra boa que diz que a Maratona é uma espera de 32 kms para uma prova de 10). Enfim, a Maratona é uma prova de paciência e não perdoa abusos.  Acabei por pagar cara esta ousadia. Aos 38 kms as pernas começam a ceder. O ritmo abranda, olho para o cronómetro e ainda é possível fazer as 2h 50 min. que eu quero, só não posso quebrar muito. Mas as pernas não querem colaborar, só a muito custo consigo manter o ritmo nos 4 min. 30 seg./km. Tudo o que eu possa dizer sobre estes kms é pouco. Foram  simplesmente os 5 kms mais custosos da minha vida. O público vai incentivando (nos locais onde havia mais público até parece que era mais fácil correr), entro na Avenida da Boavista, começo a avistar os pórticos ao fundo, o meu rosto ilumina-se-lhe, transfigura-se, estou prestes a terminar a minha primeira Maratona. Quando, finalmente, passei a meta o cronómetro marcava 2 horas 52 minutos e 29 segundos. Um tempo ligeiramente acima do que eu tinha idealizado mas, ainda assim, satisfatório. A classificação, pouco importante para o caso, ditava o 56.º lugar da Geral (33.º Sénior).

 (A expressão diz (quase) tudo)

Foi uma experiência fantástica que pretendo repetir (daqui a uns bons tempos porque os próximos dias serão mais ou menos assim...).

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O Porto chama por ti...

É já domingo que se realiza a 7.ª Maratona do Porto, onde eu farei a minha estreia nesta distância.
À medida que o tempo vai passando e a hora da partida se aproxima os meus níveis de ansiedade vão crescendo.
A preparação está feita (foram quase 3 meses de preparação específica) e os objectivos estabelecidos (individualmente, para além de querer obviamente terminar a prova, pretendo fazê-lo o mais próximo possível das 2 horas e 50 minutos - fasquia alta esta... - e, colectivamente, o C. A. Ovar vai certamente bater-se pelo melhor lugar possível).
Venha daí essa Maratona!...

domingo, 31 de outubro de 2010

18.º Grande Prémio de Atletismo Terra Nova / Gafanha da Nazaré 2010

O encerramento desta última semana de treino duro antes da Maratona tinha sido planeado com uma sessão de ritmo de 8 km para 3'45'' + 6 kms para 3'35''. Contudo, dada a existência do Grande Prémio de Atletismo Terra Nova / Gafanha da Nazaré decidimos substituí-la por esta prova.
O final da semana tinha ficado marcado pelo mau tempo e, para não variar, a chuva, o vento e o frio acompanharam-nos nesta deslocação à Gafanha.
A prova foi interessante. Constituída por 2 voltas de 4 kms cada e plana. Não fosse o mau tempo (havia zonas mesmo muito ventosas) e teria sido ainda mais agradável.
Procurei cumprir com os objectivos (temporais) estabelecidos e fiz a prova com um ritmo médio ligeiramente acima dos 3' 30''/km. No final o tempo de 28'42'' permitiu-me ficar na 23.ª posição da Geral (15.º Sénior Masculino).
Aqui fica a tabela com os tempos parciais (tecnologia Garmin em acção).



O trabalho para a Maratona está feito. Agora é limar umas pequenas arestas e evitar complicações de última hora.
Counting down mode on...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Garmin Forerunner 310XT HRM

Há já algum tempo que pretendia comprar um equipamento que me permitisse controlar melhor o meu treino (principalmente em termos de ritmos e distâncias percorridas) para assim substituir o meu fiel cardiofrequêncimetro Polar F4.
Depois de muito procurar e testar decidi comprar o Garmin Forerunner 310XT HRM.


E porquê? Porque é laranja e eu gosto muito desta cor...
Para além disto porque tem uma bateria com autonomia para mais de 20 horas de duração, porque é à prova de água até 50 metros, porque dá para programar tudo e mais alguma coisa, etc. São muitas as funcionalidades desta máquina (podem consultar as especificações técnicas aqui).
Ainda ponderei outras opções dentro desta série da Garmin, nomeadamente o Forerunner 110 (bonito, prático - até para o dia a dia - mas muito básico) e o Forerunner 305 mas, como estas coisas não se compram todos os dias, decidi comprar a menina dos meus olhos... o 310XT HRM.
Vai ser o meu companheiro de muitos treinos, muitas horas, muitos kms, muito desespero e muita alegria, muitas aventuras e desventuras...
Bem vindo ao meu mundo companheiro!

domingo, 24 de outubro de 2010

13.ª Corrida do Castelo (2010)

A Maratona do Porto aproxima-se a passos largos.
Já estamos a menos de 2 semanas para a minha estreia nesta distância e, finalmente, o volume de treino começou a diminuir. Mas foi apenas o volume que diminuiu porque a intensidade, essa, manteve-se alta.
O treinador decidiu que as medidas de austeridade também deviam ser impostas aos treinos e, vai daí, aumentou as distâncias a percorrer e diminuiu o tempo de descanso (e aqui não há reuniões de concertação para negociar estas medidas...).
Para fechar a semana nada melhor do que uma prova (que não estava nos meus planos). Tratou-se da 13.ª Corrida do Castelo, em Santa Maria da Feira.


A prova era aqui ao lado, na cidade onde trabalho e, como a ideia inicial era fazer um treino de ritmo (e acabou por ser mas com um ritmo mais forte do que eu tinha pensado), lá fui fazer os 10 kms.
Assim que o tiro de partida soou tive que fazer um slalom por entre os participantes (a prova teve uma boa adesão e os participantes eram muitos) para chegar às posições que eu queria. Ao passar a marca do 1.º Km olhei para o cronometro - que marcava 3'31'' - e pensei "este ritmo já é forte demais para o que eu quero, vou abrandar". E assim fiz ou, pelo menos, penso que fiz. O que é certo é que passei aos 2 kms com 6'58'' e aos 3 kms com 10'27''. A primeira volta (a prova tinha 2 voltas com 5 kms cada uma) estava quase a terminar e eu fui mantendo o ritmo vivo. A frequência respiratória, apesar de elevada, ia controlada e as pernas iam-me dando bons sinais e eu decidi manter (mas com receio de quebrar na 2.ª volta e ter que sofrer bastante para chegar à meta). Passei aos 5 kms com 17'39''.
Na 2.ª volta o meu objectivo era tentar manter o ritmo pois aumentar era, para não dizer impossível, muito difícil. E assim fiz. Lá fui controlando a situação para minimizar o sofrimento. Ao longo do percurso, colocados quase estrategicamente, encontrei alguns colegas (Quimzé, Isabel, Zé Roberto) que me incentivaram e a quem agradeço. Obrigado!
Terminei os 10 kms com o tempo de 35'24'' (média de 3'32''/km) na 55.ª posição da Geral (26.º Sénior Masc.).
Fiquei bastante satisfeito com o meu desempenho pois fiz uma média bastante razoável o que, juntando ao volume que já levo, me dá boas indicações para a Maratona.

sábado, 16 de outubro de 2010

Long Weekend

Este vai ser um fim de semana em cheio...
Entre jantares e almoços tenho 2 treinos para fazer.
Hoje vão ser 10 x 800 m e amanhã (bem cedo) 25 km.
A Maratona aproxima-se a passos largos, os kms (e o cansaço) vão-se acumulando mas...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

22.ª Meia Maratona "Cidade de Ovar"

Esta prova tinha, para mim, um significado especial.
Não só porque era na minha cidade mas também por que foi nesta prova, há precisamente 1 ano, que eu reingressei no desporto depois de alguns anos parado.
Este ano, muito melhor preparado que o ano anterior (obrigado Branco!) tinha naturalmente outros objectivos.
Numa prova com cerca de 1500 atletas a competir os momentos iniciais são sempre complicados. Este ano, contudo, como consegui ter acesso aos lugares dianteiros na partida (obrigado Ricardo!) as coisas foram mais fáceis. Dorsais VIP, assim lhes chamam eles. Foi uma sensação engraçada mas estranha, estar ali no meio dos melhores. Foi, ainda assim, uma sensação curta, apenas até ao momento da partida. A partir daí a diferença de andamento não mais me deu essa sensação...
A minha ideia para a prova era tentar que a Carla Martinho seguisse comigo o máximo de tempo possível (enquanto ela aguentasse) [Isto é, naturalmente, brincadeira. A ordem correcta é a inversa.] mas, desta feita, ela partiu rápido demais para mim e apenas o Jorge seguiu com ela (ele viria mesmo a deixa-la junto aos 18 kms para terminar a prova em 53.º lugar da Geral, no fantástico registo de 1h 16' 21''). Assim sendo, formamos um grupo (coeso, quase toda a malta que treina junto) e seguimos em conjunto, a bom ritmo, pelo centro da cidade, com muitos aplausos.


Os kms foram passando, sem grandes peripécias até que, aos 13 kms, a caminho do Furadouro, o Hélder apertou um pouco e pareceu-me ver o "homem da marreta" à minha espera. Mas não, ele escondeu-se e esperou pacientemente que eu fosse dar a volta à praia para, no regresso, aos 15 kms me atacar. Acertou-me com tal precisão e potência nas pernas que eu comecei a quebrar. A partir daqui foi sempre a sofrer. Tentei colar a alguns elementos que seguiam à minha frente para evitar seguir sozinho e fui conseguindo. A passagem pelo Carregal, com bastante público, ajudou.
Depois, no retorno colocado em direcção ao Areinho assisti a uma cena lamentável, eticamente reprovável e que, infelizmente, já chegou ao Atletismo. Neste controlo - tal como no do Furadouro - a passagem é confirmada por meio de uma pulseira que deve ser entregue no final da prova. Houve atletas que passaram pulseiras a outros, evitando assim que estes cumpram a totalidade do percurso. Realmente lamentável, vergonhosa para os atletas e até para a organização estas situações. Implementem rápidamente o sistema de controlo por chip para acabar com estes aldabrões.
Adiante. A prova aproximava-se do fim (bem como as minhas forças) e, a partir do km 19, acabei por ficar mesmo isolado.




Não tinha ninguém, estava por minha conta. A minha cabeça só pensava na Meta e dei tudo o que as pernas deixaram. No final o cronómetro marcou o tempo de 1h 17' 59'' (tempos parciais: 5 kms - 18' 29''; 10 kms - 18' 43''; 15 kms - 18' 16''; 20 kms - 18' 36''), terminando em 74.º lugar da Geral.
O tempo foi dentro do que eu tinha planeado mas fiquei com um sabor amargo (e não foi da água)...
Só há uma coisa a fazer... treinar.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Briooosa!...

A manhã acordou chuvosa - o adjectivo correcto será, talvez, tempestuosa - ameaçando cancelar o espectáculo. Mantive-me atento às notícias e aquilo que se ia dizendo era que o concerto iria ser realizado. O que é certo é que, ao longo do dia, o tempo foi melhorando e eu estava cada vez mais convencido. Lá tratei de encetar contactos e arranjei uma bela boleia até Coimbra (obrigado Quimzé), partilhada com alguma malta amiga.
Chegados a Coimbra era hora de preparar o estômago para o que se seguiria. Nada melhor do que um Centro Comercial a abarrotar (o piso da alimentação, que os outros estavam "às moscas" - sinais dos tempos) para satisfazer o apetite.
Depois de tratada a questão da alimentação foi tempo de seguir para o Estádio. Foi uma entrada muito pacífica. Sem grandes filas, sem tempos de espera, sem confusões. O ambiente já começava a aquecer e a questão da chuva era agora subjectiva (embora continuasse a molhar). À saída das galerias, em direcção ao relvado a imagem era esta...


A 1.ª parte do concerto foi feita pelos Interpol. Apesar de ser uma banda que eu conheço (e que tem umas músicas que gosto), não me convenceu (possivelmente porque eu queria mesmo era ver os U2).
E assim, poucos minutos antes das 22 horas, os U2 entravam no palco com um sonoro "Briooosa!..." lançado por Bono Vox. A recepção foi, como seria de esperar, fantástica.
Seguiram-se 2 horas onde a tecnologia (aquele palco é uma coisa estupenda) aliada às canções inesquecíveis brindaram todos os presentes com um espectáculo fabuloso.


Bono revelou estar em boa forma física, sempre em movimento ao longo de todo o concerto. Como não podia deixar de ser, Bono foi mostrando o seu lado político e músicas como "Sunday Bloody Sunday", "Walk On" e "One" cumpriram o seu papel. No final do concerto (que teve 2 encores) a chuva, que parou assim que os U2 subiram ao palco, voltou a marcar presença, levando a que Bono saísse cantando "I'm singing in the rain".
Para terminar a noite, já a caminho de casa, nada como uma bela sande de leitão e uma cerveja.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Counting Down...

Pois é, estamos em contagem decrescente...

Terminado o treino de ontem - o último treino intervalado antes da Meia Maratona Cidade de Ovar - entramos em contagem decrescente para essa grande prova vareira.
A preparação está feita, agora é esperar que tudo corra pelo melhor para que consigamos (sim porque há aqui uma grande equipa de trabalho) alcançar os nossos objectivos.
Deixo-vos com o percurso da prova para se irem mentalizando...



Mas, como nem só de Atletismo vive o homem, há uma outra contagem decrescente paralela à da Meia Maratona...

 

É já este fim de semana que a banda irlandesa composta por Bono Vox, The Egde, Larry Mullen Jr. e Adam Clayton se desloca a Coimbra para dar mais um (neste caso dois) espectáculo integrado na sua 360º Tour, cujo início foi a 30 de Junho de 2009, em Barcelona.
Domingo lá estarei para aplaudir estes grandes senhores.

domingo, 26 de setembro de 2010

Another Sunday Morning...

Um post com um título assim só podia ter como banda sonora "Sunday Morning Call", dos Oasis, por isso aqui fica ela...


Por falar em música, daqui a precisamente uma semana, aqui o vosso amigo estará em Coimbra para assistir ao (espero eu) grande espectáculo que os U2 irão dar. Roam-se de inveja... :-)

Agora que já estamos conversados de música vamos lá aos treinos.
Esta foi mais um semana de carga (a última antes da Meia Maratona de Ovar).
Tivemos 3 treinos de trabalho específico (ritmo, ritmo e mais ritmo) e terminámos, hoje, com mais um treino matinal longo.
Desta feita fomos até à Torreira (26 kms, 2h 07') num belo percurso sempre ao longo da Ria de Aveiro, com paisagens fantásticas como esta.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A Cidade Está Deserta...

A cidade está deserta e não, ninguém escreveu o teu nome em toda a parte...




Domingo, 07.30 h da manhã, os primeiros raios de sol vão empurrando a medo a noite e o frio.
As ruas estão, de facto, desertas. Contudo, uma espécie rara de humanos, reúne-se para mais um treino longo, são eles os maratonistas.
Desta feita foram 4 os aventureiros que se lançaram à estrada: eu, o Hélder, o Carlos e o Rui (para completar a equipa do C. A. Ovar que vai fazer à Maratona do Porto só faltaram o Miguel e o Quim...).
O treino decorreu normalmente, sem grandes peripécias para contar.
Os kms foram passando, no início calmamente e com a conversa a ajudar, depois o ritmo subiu mais um pouco e a conversa desapareceu (não sei se a ordem de razões é esta ou a inversa...).
2.10 h e 28 kms depois estávamos de regresso ao ponto de partida.
A preparação para a Maratona segue em bom ritmo!


De tarde, no Pavilhão da Lavandeira - Santa Maria da Feira, decorreu a apresentação das modalidades amadoras do C. D. Feirense: Andebol, Natação, Ginástica, Badminton e Ciclismo.
A equipa Masters da Seccção de Natação do CDF deu-se assim a conhecer pela primeira vez.

domingo, 12 de setembro de 2010

30.ª Meia Maratona Internacional de Viseu

Hoje fui dar uma volta por Viseu.
E quando digo dar uma volta é mesmo no sentido literal, pois pouco deve ter faltado para dar a volta à cidade...
Pouco passava das 7 horas da manhã, o nevoeiro corria o sol que, com algum sacrifício, lá ia aparecendo no horizonte, fazendo antever um dia quente. De mochila às costas, confiante com o trabalho feito, saí de casa.
A boleia (fui com os colegas do Afis na carrinha do Clube - obrigado companheiros!) não tardou e antes das 9 horas já estávamos em frente ao recinto da Feira de S. Mateus.

Depois das tarefas habituais (levantamento dos dorsais, equipar, múltiplas idas à casa de banho, aquecimento, convívio com a malta conhecida, etc.) dirigimos-nos para a zona da partida.
Como a prova completava 30 anos tivemos direito aos "Parabéns!", tocados pela Banda Filarmónica.
O objectivo inicial desta prova era, para mim, testar o meu nível nesta fase da preparação (estamos a 3 semanas da Meia Maratona de Ovar e a 2 meses da Maratona do Porto). A ideia era apontar para a 1h 20' (3' 50''/km) e ver até onde as pernas aguentavam. E assim foi.
Logo no início juntou-se um grupo coeso (atletas do C. A. Ovar, do Afis e do Arada A. C.) e com objectivos finais semelhantes (1h 20'). O ritmo era moderado e, acima de tudo, constante, o que foi óptimo para mim.
Algumas das ruas de Viseu que habitualmente são brindadas com a passagem da Meia Maratona, dado estarem com obras este ano, não tiveram esse prazer. Assim, a organização, viu-se obrigada a alterar ligeiramente o percurso. Se ele já não era fácil - dizem os habitues desta prova - ficou ainda mais difícil, com várias subidas custosas de vencer. Ainda acerca da organização apenas 2 reparos. Um positivo para os abastecimentos, que estiveram bem, quer pela quantidade quer pela eficiência. Outro negativo para a presença de carros a circular em alguns locais do percurso.
Trânsito à parte, os kms foram passando e, cerca dos 10 kms de prova, juntou-se ao grupo onde eu vinha aquela que viria a ser a 1.ª classificada feminina - a Carla Martinho da Adercus.


Com os minutos e os kms a acumularem-se o grupo foi ficando mais reduzido. Restamos eu, a Carla  Martinho e um colega de uma equipa de Viseu (sempre acarinhado ao longo do percurso). Este trio manteve-se até ao último km quando, já com a vitória da Carla assegurada, eu abri um pouco mais para terminar com um tempo de 1h 17' 30'' (41.º da Classificação Geral, 22.º Sénior).
Fiquei contente por ter alcançado o objectivo da prova e por apresentar bons indícios para as que se seguem.
Por falar nisso já é oficial a inscrição na Maratona do Porto, agora não há volta a dar...

domingo, 5 de setembro de 2010

Clubes a Representar em 2011

O mercado anda agitado. É altura de transferências e os empresários, atletas e dirigentes desdobram-se em reuniões procurando o melhor para cada um.

Também eu (e o meu empresário, claro) andei envolvido nestes processos. Agora, que tudo se resolveu e a minha situação já é oficial para a próxima época, posso-vos divulgar os resultados de horas e horas de debates e reuniões. :-)

Na época de 2011 irei representar 3 clubes, de 3 modalidades diferentes.
No Triatlo, depois de uma época (a primeira por sinal) como individual, na próxima época irei representar o Porto Runners, na sua secção desta modalidade. Foram uma equipa fantástica, com elementos prestáveis e simpáticos, que me acolheram e ajudaram desde a minha primeira prova. Ao longo desta época cruzámo-nos por diversas vezes e será com prazer que no próximo ano farei parte deste grupo.


No Atletismo (corrida) é como diz o ditado, "o bom filho à casa torna". Depois de uns anos ausente, quando reiniciei a actividade física, fui-me cruzando nos treinos com a malta do Clube de Atletismo de Ovar, clube que representei até abandonar o Atletismo. Assim, foi com naturalidade que me juntei a eles nos treinos e que, no final desta época, representei o CAO em algumas provas. Na próxima época esta ligação irá continuar, bem como a preciosa orientação do meu querido António Branco, a quem muito devo.


Finalmente, na Natação, fruto dos treinos que vou realizando nas Piscinas Municipais de Santa Maria da Feira, com a preciosa colaboração do meu "treinador" André Bastos e dos meus colegas de treino (nomeadamente o Fernando Diogo e o José Roberto) irei representar a Secção de Natação Masters do Clube Desportivo Feirense.


2011 será uma época exigente mas, tal como já havia dito anteriormente, este primeiro ano funcionou como experiência. Gostei e agora é altura de começar a trabalhar com (ainda mais) empenho.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

I Triatlo de Vila Nova de Gaia

Vila Nova de Gaia - Afurada - foi palco, este fim de semana, de um grande evento de Triatlo.
As margens do Rio Douro receberam no sábado de tarde o Campeonato Europeu Sub23 da modalidade e, no domingo de manhã, a última etapa da Taça de Portugal.
Esta prova foi, muito provavelmente, a minha última prova neste ano de estreia na modalidade. Foi uma bela forma de concluir a época e que me dá boas perspectivas para o próximo ano. A ver vamos...
Cheguei cedo ao local da prova, como gosto. Tive tempo de ver bem toda a estrutura montada (e que bela estrutura, ou não fosse ela a mesma do Campeonato Europeu que havia decorrido no dia anterior - onde o "nosso" João Silva se sagrou Campeão Europeu). Durante o reconhecimento fui vendo caras conhecidas, de outras provas, que fui cumprimentando. É engraçado começar a sentir que faço parte desta família de triatletas.
Depois das tarefas habituais era hora de me dirigir para o parque de transição, colocar o material e dar umas braçadas antes da partida. No parque cruzei-me com o João Garcia - sim, o alpinista, que também é triatleta e que competiu nesta prova - com quem troquei umas palavras. A água a 19º permitia o uso de fato isotérmico e então há que aproveitar. Depois de ultrapassar a árdua tarefa de vestir o fato mergulhei nas águas do Douro e iniciei o meu aquecimento. Curto, pois pouco depois já estava a organização a pedir para nos dirigirmos para a zona da partida. Lá nos amontoamos - os cerca de 190 atletas à partida - junto ao pontão e, ao som da buzina accionada pela Rosa Mota, partimos para os 750 metros de natação.



Iniciei este segmento com calma e até à primeira bóia a coisa custou um pouco. Depois foi seguir o ritmo e esperar que os metros passassem para sair da água. Prova após prova sinto-me melhor na água mas estou consciente que este é o meu pior segmento e pretendo trabalhar para melhorar este aspecto. Cheguei ao parque de transição com muitas bicicletas ainda por levantar o que confirmava que havia feito uma natação interessante. 15 minutos e 48 segundos foi quanto demorei a cumprir este segmento, tendo saída da água na 137ª posição.
Era hora de tirar o fato, colocar o capacete e iniciar o ciclismo. Seguiam-se 4 voltas (20 km) de um percurso bastante técnico com curvas apertadas, subidas e descidas acentuadas. Fiz uma primeira volta de "reconhecimento" e depois tentei impor um ritmo forte mas sem exagerar pois queria fazer um bom segmento de corrida. Acabei por não conseguir seguir com nenhum grupo e fiz todo o ciclismo sozinho. O facto da prova ser em circuito ajuda pois tivemos sempre, ao longo de todo o percurso, muita gente a assistir e a apoiar-nos. Muito obrigado a todos.


Agora só faltava a corrida. Eram 2 voltas num total de 5 km. Eu sentia-me bem e queria voar nas margens do Douro. Impus logo de início um ritmo forte e esperei que os treinos fizessem o resto, permitindo aguentar assim até ao final. Os kms sucediam-se e as pernas iam aguentando. A respiração começava a dar sinais de cansaço mas a meta já estava quase à vista. Os treinos resultaram e eu fiz um segmento de corrida muito bom.


No final o cronómetro marcou 1h 14' 17'', 61.º lugar da classificação geral. Fiquei bastante satisfeito com a prova e com o meu desempenho. É bom quando vemos que o nosso esforço diário se reflecte nos resultados obtidos.
Terminada a prova era hora de confraternizar mais um pouco, comer fruta e beber alguma coisa.
De Triatlo estamos conversados por esta época, para o ano há mais (e melhor, espero eu).

domingo, 22 de agosto de 2010

Quanto valem 10 euros?


Sim, quanto valem 10 euros? Pode parecer estranha esta questão mas acreditem que, como verão adiante, é pertinente.
Depois do Triatlo da Raiva meti uns dias de férias [muito boas, por sinal :)] e, para além da ida a Santiago em BTT, poucos foram os treinos que realizei. Esta semana, quando regressei aos treinos, fui informado que haveria uma competição de corrida em estrada aqui perto - a Corrida do Mártir 2010, em Cucujães - no sábado à tarde. Depois de alguma resistência da minha parte e de alguma insistência dos meus colegas, acabei por aceitar participar nesta prova. Sempre são mais 9 km de ritmo a contar para a minha preparação para a Maratona do Porto.
Cucujães, 17.05 horas, depois de um (breve) aquecimento era dada a partida para a prova. Seguiram-se 8.600 metros de subidas e descidas. Sobre a prova não há muito a contar. Parti com calma e fui avançando à medida que me fui sentindo bem. Subi muito bem e aproveitei as descidas para recuperar. Terminei a prova a sprintar com um colega de equipa, tendo perdido para ele mesmo em cima da linha da meta.
A frequência cardíaca alta transparecia bem o esforço realizado, o cronómetro marcava 30' 52'', não fazia ideia da minha classificação (e também não estava preocupado). Entretanto a malta foi chegando, fomos trocando opiniões e alguém atira para o ar que eu tinha ficado em 10.º lugar no escalão Séniores Masculinos. Isso era fantástico, pensei eu. E não é que foi mesmo! Tinha conseguido ficar em 10.º lugar e, pela primeira vez na vida, iria ganhar um prémio com o Atletismo (além das habituais ofertas de participação, tipo t-shirt). O valor era o menos importante, o que interessava era a minha gratificação por ver que todo o esforço e empenho que diariamente coloco nos treinos era, de alguma forma, recompensado (que mais não fosse pela posição).
Quando anunciaram o 10.º classificado lá chamaram por mim e foi com muito gosto (e algum orgulho, confesso) que recebi aquele envelope com... 10 euros! E agora, quanto valem estes 10 euros?

sábado, 14 de agosto de 2010

Caminho Português de Santiago

Sé Catedral do Porto, dia 11.Agosto.2010, 07.50 horas, que comece a aventura...
Que comece é uma maneira de dizer pois qualquer viagem começa muito antes da partida, com todos os preparativos e afins. Esta seria uma viagem diferente. Pelo meio de transporte - bicicleta -, porque o fundamental não é o destino mas sim o caminho que é percorrido para lá chegar, porque iria despojado de todos os luxos levando apenas o essencial, porque sim, porque quero e porque gosto. Depois de tudo preparado, durante a breve viagem de comboio entre Ovar e Porto (S. Bento) apenas tinha 2 certezas: de que iria começar o Caminho em breve na Sé Catedral do Porto e de que o pretendia terminar na Sé Catedral em Santiago, tudo o resto era uma incógnita. O espírito, tal como havia lido na net, era "amigo não faça o Caminho, deixe que o Caminho o faça a si".
No primeiro dia o Caminho foi ganhando interesse à medida que fui deixando para trás as zonas mais citadinas do Porto e da Maia e fui entrando nas zonas mais rurais. Os kms iam passando e cada vez mais começava a sentir que o Caminho me começava a preencher. Rapidamente cheguei a S. Pedro de Rates e fiz questão de ter o selo deste albergue na minha Credencial.
As setas amarelas, tal como os peregrinos - essencialmente caminheiros estrangeiros - iam-se sucedendo, umas atrás das outras, as paisagens e o percurso mantinham o interesse com algumas subidas, cursos de água, single tracks, etc. e, quando dou por mim, começo a sentir alguma fome. Não era de admirar, o relógio marcava 15 horas, decidi parar na próxima oportunidade - Ponte de Lima. Calhava bem que assim retemperava forças antes da famosa subida da Labruja - e que subida meus amigos!... Assim foi, depois de almoçar numa das esplanadas voltadas para o rio Lima, era altura de continuar o Caminho. Uns kms depois lá estava ela, altiva, imponente, como que a desafiar todos aqueles que a ousam subir. Qual Adamastor e o seu Cabo das Tormentas... E a verdade meus amigos é que só há 2 formas de fazer esta subida até à Cruz dos Franceses: ao lado dela ou por baixo dela. É impossível subir pedalando na bicicleta. Eu optei por subir ao lado dela, empurrando-a com todas as forças até alcançar a glória final.
Daí até S. Pedro de Rubiães foi um instante e, como já tinha 118 kms percorridos desde o Porto (8.15 horas a pedalar), como já não era muito cedo e como ainda faltavam cerca 20 kms para Valença decidi pernoitar neste Albergue. Em boa hora o fiz. Além do Albergue ter boas condições, o ambiente era fantástico. Havia pessoas dos mais variados países - Polónia, Alemanha, Inglaterra, Itália, Espanha, etc. - e os momentos aqui passados foram fantásticos. De manhã, por volta das 4 horas já havia movimento na camarata. Os caminheiros levantam-se bastante cedo para começarem igualmente cedo a etapa. Eu fiquei mais um pouco e comecei a pedalar às 7 horas, tinha nascido o sol à poucos minutos.
No segundo dia os primeiros minutos foram um pouco dolorosos. Não tive problemas com as pernas, essas portaram-se bem, mas o rabo dorido dos kms feitos no dia anterior queixava-se cada vez que me sentava. Nada que já não estivesse à espera mas ainda assim desagradável. Neste aspecto há que ter em consideração ao material utilizado. Escolham bons materiais (quer calções quer selins). E, já que estamos a falar de materiais, um louvor para o meu material. Quer o suporte quer os alforges portaram-se lindamente durante todo o Caminho, permitindo-me uma liberdade tal que, se não fosse o peso, até me esquecia que eles lá estavam. A bicicleta, essa, apesar de ter feito o seu melhor e de se ter portado lindamente (não tive nenhum problema mecânico - desde já agradeço ao Fernando da Garagem Paciência pela assistência prestada -, apenas tive um furo - rapidamente resolvido - já quase a terminar o segundo dia) condicionou-me um pouco em alguns locais mais técnicos. Talvez esteja na altura de eu pensar em fazer um upgrade...
Neste segundo dia, cedo, cruzei o rio Minho e entrei em terras espanholas - Tui. Aqui as setas amarelas quase deixam de existir e o Caminho passa a ser marcado com as famosas vieiras.
Ao longo do Caminho apenas encontrei 2 grupos de ciclistas, ambos portugueses por sinal. Um era constituído por 3 elementos de Esposende que iniciaram o Caminho em S. Pedro de Rates (onde nos encontrámos pela primeira vez) e com quem me ia cruzando de vez em quando, tendo inclusivamente pernoitado também no Albergue de S. Pedro de Rubiães. O outro, com 6 elementos da zona da Trofa, encontrei-os pela primeira vez no Albergue onde pernoitei. Estava eu a instalar-me quando eles chegaram, carimbaram as Credenciais, e seguiram para Valença onde pernoitaram. Neste segundo dia de Caminho, estava eu a sair do Albergue de Pontevedra após carimbar a minha Credencial e voltei a encontrar o grupo da Trofa. Depois de trocarmos umas palavras seguimos juntos em direcção a Caldas de Reis onde eu tencionava dormir. Eles ainda iam até Padrón. Os 20 kms que separam Pontevedra de Caldas de Reis passaram rapidamente (poderiam ter passado ainda mais rápido se eu não tivesse tido um furo). Eu tencionava ficar pois já tinha mais de 100 kms feitos mas eles lá insistiram e acabei por ir com eles até Padrón. Por um lado era melhor pois ficávamos com pouco mais de 20 kms para percorrer no outro dia até Santiago, por outro lado, além do cansaço do dia, começava a ficar tarde e isso dificulta a entrada nos Albergues que têm uma capacidade limitada. E assim foi, quando chegámos ao Albergue de Padrón estava cheio. Ir até Santiago era demasiado, voltar para trás nem pensar, então há que procurar alojamento em alguma pensão. Mas até aí foi difícil, dado sermos 7 pessoas. Ao fim de algumas tentativas lá conseguimos um local onde por 20€ tivemos direito a banho quente, cama lavada e (muito) jantar. Querem melhor? Obrigado Manolo! Neste segundo dia fiz 130 kms, tendo pedalado 9.15 horas.
O último dia foi pacífico. Os poucos kms de Padrón a Santiago (28 kms) foram percorridos em 2.30 horas e a meio da manhã já lá estávamos. Havia percorrido 276 kms, 20 horas a pedalar desde que saí do Porto até Santiago. Já em Santiago a maior dificuldade foi mesmo chegar à Praça do Obradoiro tal era a quantidade de pessoas.
Depois das tarefas habituais (fotos, recordações, etc.) era hora de voltar. O comboio que liga Vigo ao Porto parte ao final do dia e não tem grandes constrangimentos mas o que liga Santiago a Vigo é conhecido por ser mais complicado. E assim foi. De Santiago para Vigo apenas podem viajar 3 bicicletas em cada comboio o que nos fez dividir por 3 viagens. Para quem quiser evitar esta situação tem sempre a possibilidade de despachar a bicicleta através de uma das várias empresas que se publicitam em Santiago. Por menos de 50€ tem a bicicleta em casa poucos dias depois... Ainda assim, com tudo isto, acabámos por chegar cedo a Vigo e ter tempo para dar uma volta pela cidade.
No comboio Vigo - Porto vinham muitos peregrinos de bastantes nacionalidades, a conversa foi animada e o tempo custou menos a passar. De todos destaco 2 algarvios, de 57 anos cada, que depois do ano passado terem feito a Via Algarviana em BTT este ano decidiram realizar o Caminho Francês de Santiago. Fizeram mais de 850 kms em 8 dias (média de 108 kms/dia), fantástico. Parabéns!
Até chegar a casa tive ainda que mudar de comboio mais uma vez e pedalar alguns kms, poucos para quem tantos havia percorrido.
Esta viagem foi extraordinária, foi tanta informação em tão pouco tempo que vou demorar imenso a conseguir interiorizar tudo isto. Quer seja pelo gosto da actividade física (seja BTT ou caminhada), quer seja pela questão espiritual/religiosa, quer seja pela questão cultural, quer seja por todas elas, o Caminho de Santiago é uma experiência fantástica!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

VI Triatlo da Raiva

Desafio superado... Foi esta a minha sensação ao cruzar a meta da 6.ª edição do Triatlo da Raiva.
Mas o dia tinha começado muito antes, bem cedo. Depois de ultimar alguns preparativos e tomar um bom pequeno almoço, arranquei em direcção a Castelo de Paiva, confiante dos treinos que havia realizado mas, naturalmente, com alguma ansiedade.
Chegado à freguesia da Raiva, onde estava instalada a meta e o 2.º parque de transição, comecei a respirar o "ambiente triatlético". Era a azáfama habitual. A organização a ultimar alguns pormenores, os atletas a preparar o seu material e a trocar umas palavras com quem já não estavam desde a última competição, a população nas ruas a assistir a tudo isto... Inspirei profundamente este ar que aqui se respirava, misturei-me com a multidão e senti-me, porque o sou, um triatleta.
Depois de colocar o material de corrida (as minhas novas Asics Gel Noosa Tri5, que por sinal se portaram lindamente) no PT2 a dúvida foi se seguia para a Praia do Castelo (onde seria dada a partida) de carro ou de bicicleta. Como não conhecia preferi ir de carro mas muitos foram os atletas que optaram pela bicicleta, o que possivelmente farei para o ano.
Já na Praia do Castelo, estava eu a equipar-me e a preparar-me para aquecer, quando cai a bomba... não é permitido usar fato isotérmico na natação. Pelos vistos aqui é comum acontecer esta situação. Seria uma novidade para mim. Melhor assim, perco menos tempo na 1.ª transição. :)
Depois do material colocado no parque de transição era hora de experimentar a água. Agora é que vai ser, pensei eu. Mas não! A temperatura da água estava óptima, ideal para nadar. Depois de umas braçadas era hora da partida. Como sempre, procurei uma zona menos concorrida. O que perco em posicionamento ganho em liberdade e em menos confusão e luta aquática. A partida estava eminente e a minha calma estava a preocupar-me. Não deu para me preocupar muito pois segundos depois estava a soar a buzina e a prova começara.
Seguiam-se 650m de natação, 16km de ciclismo e 4,2km de corrida, um super-sprint longo chamou-lhe a organização (só no Triatlo é que uma prova com uma duração superior a 1 hora pode ser considerada super-sprint...). A natação decorreu sem grandes sobressaltos. Sendo este o meu segmento mais fraco procurei colocar um ritmo que me permitisse sair da água bem para depois poder dar o meu melhor nos outros segmentos. E assim foi. Logo no início do ciclismo apanhámos uma subida de cerca de 700m em paralelo e depois um percurso alcatroado (bem marcado) onde as subidas longas iam alternando com as descidas técnicas. Foi um segmento que me correu muito bem. Fui ganhando posições e terminei bem fisicamente. Só faltava a corrida e eu queria voar nestes 4,2km. Queria disse eu bem. As pernas é que não pareciam cooperar e, apesar de ter feito um bom segmento, julgo que poderia fazer um pouco melhor.
No final, cruzada a linha da meta, havia demorado 1h 08' 49'' a realizar a prova e fora o 42.º a fazê-lo. Era hora de conviver com os colegas e retemperar forças.
Para terminar esta prova a organização ainda nos brindou com um almoço onde o convívio e a boa disposição imperaram. Muito obrigado! Volto para o ano.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Desafios que se seguem

Este tem sido, para mim, um ano original. Iniciei o meu percurso no Triatlo e tracei objectivos bastante concretos (ou quase, vá...) do que procuro alcançar.
Assim, com o aproximar do final da época desportiva, são basicamente 3 os desafios que me proponho cumprir:


Triatlo da Raiva. Esta será, se não a última, certamente uma das últimas provas de Triatlo que irei realizar esta época. Não foram muitas as provas que realizei até ao momento mas foram as suficientes para eu saber que gosto do Triatlo e que pretendo evoluir nesta(s) modalidade(s). Esta prova realizar-se-à no dia 08.Agosto em Castelo de Paiva e será constituída por 650m de natação, 16km de ciclismo e 4,2km de corrida. Brevemente regressarei cá para relatar esta competição.

Caminho Português de Santiago. Na semana seguinte ao Triatlo da Raiva planeei realizar este Caminho (em BTT). A ideia original era, juntamente com os meus camaradas do "Espírito de Aventura", realizar o Caminho Francês de Santiago. Contudo, por razões profissionais, não me será possível acompanha-los nas datas planeadas, pelo que decidi realizar - em "solitário" - um Caminho mais curto. Serão 243km que ligarão as Sé Catedrais do Porto e de Santiago. Terei certamente muitas peripécias para contar. Vai-me fazer bem...


Maratona do Porto. Tal como já referi o meu percurso desportivo passou - antes de enveredar pelo Triatlo - pelo Atletismo, nomeadamente pelas corridas de meio fundo. A corrida é uma actividade que sempre me deu prazer. Agora, com o regresso mais a sério ao desporto, a corrida volta a ocupar-me bons momentos da semana e as distâncias mais longas são aquelas que mais desafios me colocam e, como tal, mais prazer me dão. Então, que desafio maior poderá existir que a Maratona? É com este espírito que dia 07.Novembro espero participar na Maratona do Porto. Os objectivos já estão estabelecidos e, além de obviamente querer concluir a prova, pretendo fazê-lo em menos de 3 horas. Venham de lá esses km's...

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Limits!... What limits?...

Há alturas em que tudo parece correr mal.
O ânimo, a motivação e até a auto-estima já partiram à muito.
Estamos sós.
Junta-se a nós a fadiga e a saturação, o que mais podemos querer?...

É nestas alturas que uma mensagem poderosa, como este vídeo, nos agita, nos acorda, nos retira da monotonia e nos faz querer viver intensamente.
Ficamos com vontade de sair já, agora mesmo, e ir treinar.
Treinar mais e mais para um dia, quem sabe, chegarmos ao Hawai...

Aqui fica a mensagem. Enjoy it! Bons treinos!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Swim, Bike, Run - The Triathlon Challenge


Setembro de 2009, o sol brilha no céu e um novo desafio, sem que eu o perceba ainda, está prestes a começar para mim.
Depois de alguns anos a trabalhar por uma série de terras espalhadas um pouco por todo o país eis que me calha em sorte terras de Santa Maria, a cerca de 10 km de casa.
Agora que estava mais perto de casa tinha mais disponibilidade e, como tal não havia desculpas, estava na altura de eu recomeçar a treinar.
Inicialmente foi a corrida. Já anteriormente, até entrar na Faculdade, tinha sido o meu desporto de eleição e, como o "bom filho à casa torna", aí estava eu a correr.
Depois veio a natação. Há já uns anos que não nadava (bem, para dizer a verdade, eu nunca nadei, vou-me mantendo à superfície e batalhando com a água o que me permite ir progredindo...) e decidi aproveitar alguns "tempos mortos" para aperfeiçoar a técnica e evoluir um pouco.
A coisa foi avançando, entre a corrida e o nado até que um dia pensei "se eu juntasse a isto o ciclismo fazia Triatlo".
E assim foi. Arranjei uma bicicleta "fininha" e, nesse dia, passei a ser um triatleta amador.
A partir daí tudo se processou muito depressa. Isto do treino é um vício que nos absorve de uma forma inacreditável.
Este está a ser o meu "Ano 0" na modalidade. Tenho ainda muito que trabalhar e evoluir mas os desafios são assim mesmo. Vamos ver até onde o sonho e a vontade me levarão...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Sonhos, Desafios e Conquistas


A vida está cheia de desafios que, se aproveitados de forma criativa,

transformam-se em oportunidades. (Maxwell Maltz)


Todos temos os nossos sonhos. Uns mais atingíveis do que outros, uns mais materiais do que outros, mas todos temos os nossos sonhos e são eles que nos movem. Como escreveu Augusto Cury (in O Vendedor de Sonhos) “o objectivo fundamental dos sonhos não é o sucesso, mas livrar-nos do fantasma do conformismo”. Ao perseguirmos os nossos sonhos (com mais ou menos vontade, é certo) muitos são os desafios que temos que enfrentar. O maior desafio de todos, para nós como seres humanos, é enfrentarmo-nos a nós mesmos, todos os dias, descobrindo como e quem realmente somos. Não é, certamente, uma tarefa simples. Contudo, é essa busca constante que nos permite evoluir e aproximarmo-nos da (inatingível) perfeição. É dessas conquistas que se alimenta a nossa vontade que nos permite, dia após dia, enfrentar novamente todos os desafios que se nos deparam.

São esses sonhos, esses desafios e essas conquistas que pretendo aqui partilhar convosco.