terça-feira, 28 de maio de 2013

O valor de uma medalha - Duatlo de Almeirim 2013

Hoje, para ser diferente e porque o momento assim o merece, vou começar este texto pelo final.
Quanto vale uma medalha? Naturalmente a resposta depende, não só de quem responde, mas também da medalha em si. Esta, de que estamos a falar em particular, não tem em termos materiais muito valor. É uma medalha simples, feita num metal banal, com o logotipo de Almeirim na frente e com algumas letras gravadas atrás (esta parte bem mais valiosa para mim).



Contudo, se em termos materiais esta medalha não tem grande valor, em termos afectivos/sentimentais esta é uma medalha muito importante para mim. Esta é a primeira medalha que eu conquisto no Duatlo/Triatlo. Nela estão gravadas muitas horas de treino, alguns sacrifícios, algumas privações, enfim, muito trabalho para que, naquela hora de prova, alcançasse um lugar no pódio. E a conquista desta medalha foi ainda mais saborosa pois, como vem sendo hábito, tinha na meta à minha espera aquela a quem tantas vezes privo da minha companhia mas que, com a sua compreensão, me vai acompanhando e incentivando. Obrigado Lili! Esta medalha também é tua (e do meu mister Branco e dos meus companheiros de treino também, claro). Obrigado a todos!



Definido que está o valor desta medalha passemos então ao relato da prova.
A cidade de Almeirim recebeu na tarde do passado sábado o Campeonato Nacional de Grupos de Idade de  Duatlo. Esta prova, disputada na distância Sprint (5 kms de corrida + 20 kms de ciclismo + 2,5 kms de corrida), atribuía o título de Campeão Nacional de Duatlo ao vencedor de cada Grupo de Idade.



Uma vez que tenho no Duatlo (muito) mais possibilidades de alcançar um bom resultado do que no Triatlo decidi inscrever-me nesta prova, apesar da proximidade temporal com o Triatlo Longo de Aveiro (S. Jacinto), que havia sido a apenas 6 dias. Depois de uma semana de regeneração, aparentemente praticamente recuperado, não escondo que fui a Almeirim com o desejo de trazer uma medalha no Grupo de Idade 30-34 anos. Naturalmente esperava-me uma prova difícil, com distâncias curtas e intensidades altíssimas, mas tentaria bater-me pelo melhor resultado possível.
À partida para esta prova, com cerca de 180 atletas inscritos, a minha táctica era bastante simples. Tentar seguir com as "referências" do meu Grupo de Idade na primeira corrida e no ciclismo e depois, na segunda corrida, fazer o que fosse possível. Sabia que a partida seria rápida mas, se queria trazer uma medalha para casa, tinha que sofrer. A questão era saber quanto...
Assim que o tiro de partida foi dado fiquei logo com uma ideia da dimensão do sofrimento. Os atletas da frente partiram todos como se de uma prova de 400 metros se tratasse e a mim não me restou outra alternativa senão segui-los. O primeiro km precipitou-se e o Garmin apitou indicando que tinha demorado 3:06 minutos para o percorrer. O grupo na frente seguia todo compacto e, numa fracção de segundos em que consegui olhar para o relógio, verifiquei que a minha frequência cardíaca ia a 187 bpm. Eu sabia que ia sofrer mas assim tanto não... A primeira volta foi toda ela feita com ritmos muito altos (o km mais lento foi 3:09 minutos) e só na segunda volta é que o grupo da frente se partiu criando dois grupos. Eu acabei por ficar no segundo grupo onde seguiam algumas das minhas "referências". 


Logo no início do segmento de ciclismo, fruto da transição, acabamos por nos espaçarmos um pouco. Na minha frente, aí a uns 15/20 metros, seguia um grupo de 3 elementos. Mal me montei na bicicleta forcei o andamento para me tentar juntar a este grupo e só já muito perto do retorno do ciclismo (colocado aos 5 kms) é que consegui "colar". Aí pude finalmente apertar os sapatos e hidratar-me. Pouco depois juntava-se  a nós o Jorge Duarte (uma das minhas "referências"), excelente ciclista, que aproveitando uma secção contra o vento desferiu um ataque que não obteve resposta por parte de ninguém do grupo. Ao ver que uma das minhas "referências" poderia fugir, fui eu quem tentou seguir com o Jorge. Ainda conseguimos uma vantagem de alguns metros mas, dada a minha incapacidade (e a de um jovem atleta que entretanto apanhamos e que se juntou a nós) para contribuir com algo palpável para esta fuga, fomos apanhados no final da primeira volta pelo grupo de onde havíamos saído. Daí e até ao final do segmento (durante a segunda volta, portanto) não houve nada de mais a registar. O grupo seguiu compacto até ao final e eu mantinha as minhas aspirações de subir ao pódio.


A segunda corrida, com uma volta apenas, iria ser determinante. Estava com algum receio para ver como é que as pernas reagiriam mas não havia tempo para testes. Saí a "todo o gás" e fui passando alguns atletas. As pernas estavam a portar-se bem (dentro das possibilidades) e eu fui apertando o ritmo enquanto pude. Vi as minhas "referências" ficarem para trás e, na reta da meta, já com poucas forças não consegui ir buscar o sénior que seguia à minha frente.


Confirmei com a Lili que tinha ficado bem classificado na Geral e comecei a perceber que, dificilmente,  uma medalha me escaparia. Tinha sido um esforço enorme mas a recompensa estava prestes a chegar.
O primeiro classificado no Grupo de Idade 30-34 era precisamente o atleta que havia cruzado a meta antes de mim e eu era segundo classificado.  A satisfação era imensa, tinha conquistado a minha primeira medalha no Duatlo/Triatlo e, em breve, subiria ao pódio.


Aqui fica o resumo da prova (em números).
1.ª Corrida: 00:15:54
Ciclismo: 00:33:13
2.ª Corrida: 00:07:54 (2.º melhor parcial, apenas superado pelo vencedor da Geral)
Total: 00:57:02
Classificação: 6.º Geral, 2.º AG 30-34
Podem consultar toda a classificação aqui.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Triatlo Longo de Aveiro (S. Jacinto) 2013

A freguesia de São Jacinto, em Aveiro, recebeu este fim de semana mais uma edição do Triatlo Longo de Aveiro, uma prova disputada na distância de Half-Ironman (1,9 km de natação, 90 km de ciclismo e 21 km de corrida)integrada no Campeonato Nacional de Triatlo Longo.


Esta prova, que vai já na sua 4.ª edição, tem vindo a bater ano após ano recordes de participação e, este ano, não foi excepção com mais de 250 atletas inscritos na prova principal (sendo que cerca de 80 atletas eram de Espanha). Se, a este número, juntarmos também os atletas mais jovens (que competiram no sábado), então o número ultrapassa o meio milhar de atletas.
Mas nem tudo são rosas... A organização da prova (Câmara Municipal de Aveiro e Federação de Triatlo de Portugal, com o apoio da Junta de Freguesia de S. Jacinto) decidiu duplicar o valor da inscrição este ano (passou de 25 para 50€), sendo que (pelo menos no que me apercebi) a única diferença se prendeu com a água nos abastecimentos do ciclismo ser fornecida em bidons. Este é um facto extensível a outras provas/distâncias este ano. Serão efeitos da crise?!...
Uma outra alteração nesta edição - embora esta me tenha, pessoalmente, agradado - registou-se no segmento de corrida. O percurso deixou de ter 5 voltas e passou a ter apenas 4. Não que a distância tenha sido encurtada mas sim porque a volta a realizar foi alterada. Continuamos a ter uma corrida feita quase exclusivamente dentro do Regimento de Infantaria n.º 10 (Aérea Militar de S. Jacinto) mas, com uma volta mais extensa, e com o piso em melhor estado.
Este foi apenas o meu segundo triatlo este ano e, depois da má natação que tinha feito em Alpiarça, estava um pouco apreensivo para ver como me sairia aqui. Logo nos primeiros metros a confusão foi, como habitualmente, grande mas lá me aguentei e, ainda antes da primeira boia já tinha conseguido arranjar "o meu espaço" e seguia a um ritmo agradável. Até ao final foi uma questão de aguentar o ritmo e fazer a melhor navegação possível. Saí da água muito perto dos 36 minutos o que, para mim, foi um bom resultado. Parece que, finalmente, começo a ver algum resultado do que vou fazendo na piscina.




Seguiam-se 90 km de bicicleta e, ainda no parque de transição, tomei uma decisão que me viria a fazer passar um mau bocado e a sofrer bastante. Enquanto tirava o fato isotérmico e colocava o capacete, etc. "analisei" as condições climáticas. Não chovia e, pensei eu, que o pior já tinha passado. Apesar de ter no parque um casaco windstopper e uns manguitos decidi não levar nem um nem outros. Tinha poucos kms de bicicleta quando a chuva e o frio começaram a intensificar, deitando por terra a minha "cuidada análise". Seguiram-se duas voltas de puro sofrimento. Eu não tinha frio, estava gelado. Não sentia as mãos nem os pés. Não consegui beber nem comer nada pois a única vez que tirei uma das mãos do guiador para pegar no bidon tive a sensação que, para além de o deixar cair, ia eu também cair. Todo eu tremia, a ponto de ficar com dores nos maxilares, e a minha frequência cardíaca não saía dos 125/130 bpm. Só na terceira volta, quando a chuva parou e o sol começou a espreitar por entre as nuvens, é que eu fiquei um pouco mais confortável e consegui pedalar melhor. Quando entrei novamente no parque de transição para iniciar a corrida tive uma sensação de alívio gigantesca. Foi, para mim, um segmento de ciclismo duríssimo (e o número de desistências neste segmento confirmam-no).


No segmento de corrida fiz o que esperava. Corri com um ritmo forte mas confortável que, apenas na última volta, baixou ligeiramente pois senti que as forças já me começavam a faltar. Neste segmento, tal como já referi, gostei da alteração do percurso relativamente aos anos anteriores.
Aqui ficam os números.
Natação: 36:12
T1: 2:45
Ciclismo: 2:37:27
T2: 0:57
Corrida: 1:21:08
Total: 4:38:30
Classificação:  34.º Geral/18.º Sénior Masc.




Apesar de algumas contrariedades consegui melhorar a minha marca na distância (que tinha sido alcançada aqui o ano passado). Foram apenas 25 segundos, é certo, mas podiam ter sido muitos mais...
Em termos colectivos o Porto Runners fez-se representar por 4 talentosos atletas (eu, o António Ribeiro, o Renato Cardoso e o Rui Martins - este que, na sua estreia em provas longos, se portou muitíssimo bem concluindo esta prova em 5:13).

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Contabilidade Semanal

Terminada que está mais uma semana (faltam 2 para o Triatlo Longo de Aveiro - S. Jacinto), é tempo de fazer a contabilidade.
Foi uma semana interessante e, aproveitando o bom tempo e o feriado, foi possível fazer mais uns kms de bicicleta, engrossando os números finais.
Aqui ficam eles.



E o Passos Coelho ainda quer que eu chegue às 40 horas... Não dá Pedro!
Esta semana "só" fiz 15 horas e o corpo só me pede descanso...